Construção de painéis elétricos: escolha de materiais e atendimento às normas técnicas

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As normas de construção de painéis elétricos mudaram e novas regras estão em vigor

Por Sérgio Baldin, Gerente de Marketing de Produto, Industrial Cabinet Connectivity e Value-Added Center.

Assuntos relacionados à energia elétrica requerem cuidados especiais. Especificamente em painéis elétricos, algumas regras importantes devem ser levadas em conta, onde uma das mais importantes é sem dúvida o atendimento às normas vigentes.

Um ponto por vezes negligenciado e que pode colocar em risco instalações e vidas é o atendimento integral às especificações dos componentes que o fabricante testou em seu conjunto.

As regras de construção de painéis elétricos passaram por alterações

Além da norma de instalações NBR5410, temos hoje em vigor a norma IEC 60439, com suas regras específicas (principalmente os capítulos 1 e 3, que estabelecem diretrizes para construção de quadros e painéis elétricos de baixa tensão).

Esta norma (IEC 60439 de 2003) foi revisada recentemente e a sua nova versão IEC 61439 já se encontra em vigor em alguns países desde 2014.

Dentre outros pontos importantes, a IEC 61439 extingue as nomenclaturas TTA e PTTA, um dos temas que gera a maior parte das interpretações dúbias.

Essa nova norma foi liberada no Brasil no final de 2016 e sua implantação prevê um prazo de transição de 5 anos. Veja a seguir os principais pontos alterados na nova norma:

A antiga IEC 60439-1 possuía dupla função, contemplando requisitos e regras gerais da norma e norma de produto. Este conceito deixa de existir com a nova norma, onde a IEC 61439-1 abrange as regras gerais e a IEC 61439-2 passa a tratar somente de produto.

As terminologias que determinam conjuntos totalmente testados (TTA) e parcialmente testados (PTTA) passam a não ser mais aplicados e são substituídos por três diferentes nomenclaturas que se referem aos tipos de verificação:

  • Por ensaio
  • Por cálculo
  • Por regras de projeto

Foram redefinidas e esclarecidas as regras referentes à elevação de temperatura e as definições do fator de diversidade (o fator de diversidade nominal é o valor por unidade da corrente nominal, declarado pelo montador do CONJUNTO, para o qual circuitos de saída de um CONJUNTO podem ser carregados de forma contínua e simultânea, levando em conta as influências térmicas mútuas).

Definições relativas à Invólucros vazios (ABNT NBR IEC 62208) agora também fazem parte da norma.

Como as novas normas afetam os componentes de montagem

Muitos não dão a devida importância às regras estabelecidas pelos fabricantes com relação aos materiais utilizados nos painéis para que eles de fato, sejam considerados testados como determina a norma.

O fato é que qualquer alteração, seja ela de uma distância pré-estabelecida ou a utilização de um componente “equivalente”, pode comprometer profundamente todos os ensaios.

A norma estabelece a definição de painel Testado:

“CONJUNTO de manobra e controle de baixa tensão em conformidade com um tipo ou sistema estabelecidos, sem desvios que influenciem significativamente o desempenho em relação àquele CONJUNTO típico verificado que está em conformidade com esta Norma.”

Os fabricantes determinam no projeto e construção e no momento de submeter os painéis elétricos aos testes todos os componentes que serão utilizados, desde os materiais estruturais até os componentes de conexão e proteção dos circuitos.

Cada um destes componentes tem papel fundamental e influencia diretamente os resultados; fatores como a tensão de trabalho, as distâncias de isolação e escoamento, material com os quais são fabricados e a resistência que estes impõem ao circuito influenciam no resultado final.

Especificamente falando dos bornes de conexão, a resistência ôhmica destes componentes pode influenciar na geração de calor no interior do invólucro, contribuindo ou impedindo que os testes de elevação de temperatura sejam atendidos.

Sendo assim, a utilização de componentes diferentes daqueles utilizados na certificação pode invalidar os ensaios e colocar toda a instalação em risco.

Por fim, as normas determinam as regras, mas existem no mercado brasileiro obrigatoriedades que dão à IEC (seja ela a 60439 ou a 61439) força de lei, como determina a NR10 (em 10.1.2). Nesta norma é definida a obrigatoriedade em seu sentido mais amplo:

“Nas instalações e serviços em eletricidade, devem ser observados no projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, as normas técnicas estabelecidas pelos órgãos oficiais competentes e, na falta destas, as normas internacionais vigentes”.

O código de defesa do consumidor também prevê a relação entre a oferta de um produto e a obrigatoriedade de se seguir as regras determinadas pelas normas:

É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços colocar no mercado de consumo qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – CONMETRO”.

Conclusão

É fundamental entender as regras e segui-las em total conformidade.  As normas vigentes determinam ensaios obrigatórios e não deixam margem para a utilização de manobras alternativas.

A certificação e construção de painéis elétricos devem ser em conformidade com a norma vigente, não tendo mais espaço para adequações.

100% dos painéis elétricos devem ser certificados e seguir estritamente as regras de montagem estabelecidas pelos fabricantes, principalmente no que tange à utilização dos componentes especificados e com os quais os testes foram realizados.

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